ENTREVISTA Filha de ex-deputado, Juíza troca Vara de Execuções Penais pelo Júri, diz que sofre ameaças e não pensa ser política

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A Juíza de Direito Luana Cláudia de Albuquerque Campos, famosa no Acre pelos oito anos à frente da Vara de Execuções Penais, está de mudança. Vai assumir, depois de 7 de janeiro de 2020, o Tribunal do Júri. Todos os passos dessa jovem de 48 anos de idade é vigiado por sua segurança e acompanhado, também, pela sociedade que a admira, embora, segundo ela contou ao Blog do Evandro Cordeiro, tenha uma parcela de pessoas que não gostam de seu trabalho, sobretudo porque não conhecem as atribuições de um magistrado que cuida da Vara de Execuções Penais (VEP) descritas na lei 7.210, de 1984. Filha de um advogado e ex-deputado estadual, Cleber Campos, que esteve na Assembleia Legislativa entre 1986 e 1990, ela diz que admira o pai, mas não tem nenhuma pretensão de seguir essa verve política dele. “Quando me aposentar quero fazer outra coisa, fora da política”, diz ela. Acredita que vai atuar no social, cuidando das mulheres excluídas, problema que a incomoda – e muito.
Enquanto a aposentadoria não chega, a rigor ainda longe, uma vez que Luana Campos entrou para a magistratura em 2002, ela vai acumulando mais bagagem, agora indo para outra Vara não menos complexa, a do Júri. O desafio, no entanto, é fichinha para quem, como ela, não teve medo de se candidatar, em 2011, para a temida Execuções Penais, quando abriu vaga, deixada por outra Juíza, a durona Maha Manasfi. “Na verdade, quando me formei nunca imaginei trabalhar em uma Vara como esta. Sempre quis uma vara cível”, pondera, numa conversa rápida, mas bem descontraída e amistosa com este blogueiro, sobre o que o destino tem lhe reservado. Formada em Direito pela Universidade Federal do Maranhão, Luana enxerga seu trabalho como algo normal e embora esteja numa linha em que poderá alcançar a desembargadoria, ela já decidiu: não pensa nisso. Quer se aposentar como Juíza mesmo, para se dedicar à causa das mulheres. “Ainda sofremos muitas discriminações hoje em dia”, afirma, expondo sua bandeira social.
Determinada a criar uma organização para cuidar de mulheres excluídas, perguntei se isso, junto com a fama que conquistou ao longo da carreira, não acabará desembocando na política. Ela reage rápido com uma sonora negativa: “Não penso em ser política de maneira alguma. Amo ser magistrada e poder contribuir para distribuir Justiça em nosso Estado”. Mesmo assim ela não deixa de opinar sobre política. As pessoas precisam cobrar mais os políticos, serem mais um incisivas. Antes, têm que aprender quais as atribuições deles, para cobrar de forma certa. “Eles estão lá para trabalhar pelo povo e precisam ser cobrados”, sugere a magistrada.
Luana Campos deixa a Execuções Penais convencida do dever cumprido e vai para o Júri com uma bagagem de quem conduziu uma Vara das mais complexas da engrenagem jurisdicional. Ela conta que sofre alguma ameaça pela internet, razão pela qual anda sempre atenta, além de cercada pela segurança, ainda assim feliz pela simpatia que a maioria tem por ela. Tudo isso, segundo a Juíza, porque as pessoas desconhecem o trabalho da VEP. Um Juiz das Execuções não condena ninguém. Entre outras atribuições, é de responsabilidade desse magistrado cuidar da integridade física do apenado, além das progressões de suas penas. Se as pessoas conhecessem a lei jamais intimidariam um juiz dessa Vara, segundo a própria Luana. “Todos devem saber das atividades de cada Vara. De seus juízes”, finaliza.

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