Artigo de Thiago Caetano com visão sobre a periferia de Rio Branco chama a atenção nas redes sociais

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Um artigo de autoria do secretário especial do governador Gladson Cameli, engenheiro civil Thiago Caetano, chamou a atenção nas redes sociais pela forma como ele revela uma visão que teve da periferia de Rio Branco. Veja o que ele escreveu:

ARTIGO Menino a beira de um campo

* Nesses dias fui bater uma pelada no campo da 06 de Agosto e me deparei com essa cena, a partir da qual decidi escrever um pequeno texto com o título “Menino a beira de um campo”:

Como era Bom o tempo em que éramos menino;
Que o melhor momento do dia era quando estávamos a beira de um campo;
em que o melhor presente de aniversário era uma Bola;
E, quando algum amigo ou parente rico realizava esse nosso sonho, havia todo um ritual: tínhamos que ser o primeiro a chutar, cabecear, bater pancadinha… E, ai de quem ousasse em dar um chute sem nossa permissão…
Cuidavamos da bola como um artigo de luxo, até na hora de dormir, ela nos fazia companhia…
As vezes penso que as bolas eram todas feitas nos “states”, porque duravam muitooo tempo… A gente usava até as “orelhas” da bola caírem, na verdade, até a bola virar dente de leite… só a câmara…
Mas, esse “parente/amigo” rico só aparecia de tempos em tempos… E, nesse intervalo, tínhamos que nos virar com aquele amigo famoso “O dono da bola”… o cara era muito ruim de bola, mas tínhamos que escolher ele, senão, não tinha pelada… ele pegava a bola e ia embora…
Era Mágico!!!
Todo lugar virava um campo de futebol: a rua, aquele terreno de barro, às vezes, até a sala de casa… Às vezes cometíamos algum pênalti: um vaso quebrado na sala (e “tome” todo mundo a correr para colar o vaso antes da mãe chegar)…
Todo mundo tinha alguma marca no corpo (e eram nossos troféus): joelho ralado, pé furado, canela cortada… Quem não tinha marca era “filhinho de papai”, “playboyzinho”…
Outra coisa boa era quando nosso pai/tio nos levava para uma pelada dos adultos… Ficávamos no lado de fora como gandulas, com maior orgulho, só esperando a oportunidade para dar um chute na bola… E, quando não interava o time, aí era um sonho… Éramos convidados a jogar, tudo bem que era como “café com leite”, mas não importava… Para nós era a convocação para a seleção brasileira… Entrávamos no campo até pisando com o pé direito… Para dar sorte… Só existia uma posição, na banheira… E se a bola sobrasse e conseguíssemos fazer um gol… Pronto… Era a Glória!!! Passávamos a semana contando para todos na escola os detalhes épicos daquele gol…
Que Saudade desse Tempo…
Em que os bairros eram recheados de meninos, parecia uma creche ambulante… Conhecíamos todo mundo do bairro… E pelo nome…
Havia União, Alegria, Unidade e Cumplicidade…
Se acabasse o sal ou o açúcar, já sabíamos onde era o estoque… a Casa da vizinha…
O maior perigo era a vassoura da vizinha rabugenta, quando a bola caía na casa dela e sorteavamos no palitinho ou campim quem seria o herói a pular o muro para pegar… Na maioria das vezes o que pegavamos era uma vassourada na cabeça ou nas costas…
E aqueles esportes inusitados que praticavamos: corrida de 100 metros contra os cachorros; salto sobre muro; esconde, esconde contra nossa mãe quando estava “braba”; fuga contra arremesso de sandália; guerra de lama; guerra de pedra; corrente de choque (vários amigos de mão dada segurando no poste que dava choque); queima de Bombril…
Era um Tempo Único…
Que cada um de nós, que vivemos esse Tempo, possamos contribuir para a Sociedade, fazendo a sua parte, ajudando as crianças e jovens, ensinando princípios essenciais para a vida, como disciplina, respeito e honra… Formando uma corrente do bem…
O Bem comum leva ao Bem individual…
Que possamos um dia viver novamente esse Tempo Mágico!!!
Que Deus Abençoe a Todos que viveram e que vão ajudar a Vivermos novamente esse Tempo…
Tempo de Inocência e de Pureza!!!

* Thiago Caetano, engenheiro civil, secretário especial do governador Gladson Cameli

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