Casamento à vista
01 / 01

Casamento à vista

Cantor Sérgio Solto é o aniversariante de hoje, 11! Ao lado de sua noiva, a advogada Socorro Rodrigues, foi acordado com lauto café da manhã
Blog do Evandro Cordeiro

O presidente do PTC Júnior Santiago, candidato a deputado federal com apoio do pai, o ex-deputado Ronivon, e de toda a família, desistiu da chapinha de federal na oposição. “Vamos para o chapão mesmo”, anunciou agora há pouco pelo Blog do Evandro Cordeiro. O PTC era um dos entusiastas da chapinha de federal até as desistências de PTB e Solidariedade e a ida do PSC de Jamil Asfuri para a coligação do coronel Ulisses. Agora vai disputar junto com os partidos grandes, puxado por PP, MDB e PSDB e PR.

Júnior, obvio, é favorito, porque a família Santiago faz muitos anos não entra em uma eleição para fazer apenas gracinha. Ele fará dobradinha no partido com ninguém menos que o tio Elson Santiago, um dos recordistas de mandato na Assembleia Legislativa e que só ficou de fora no último por causa de uma barbeiragem na hora de escolher partido. Se juntou com outros cinco deputados no extinto PEN. Elson, que esteve na base dos últimos governos da Frente Popular, voltou para a oposição, onde foi recebido com festa e aval do pré-candidato a governador Gladsdon Cameli (PP). Mesmo depois da insistência do governador Tião Viana (PT), os Santiago confirmaram a mudança de ares, razão pela qual na última segunda-feira todos os membros da família com cargos no governo foram exonerados.     

Publicado em Blog

Mais de 100 servidores públicos municipais da saúde e educação participaram neste sábado (04/agosto), da ação de integração ambiental realizada pela prefeitura de Cruzeiro Sul em parceria com a ONG CBCN.

Agentes de fiscalização das secretarias do Meio Ambiente, Tributos e Vigilância Sanitária, numa operação integrada, contando com a colaboração da equipe do CBCN responsável pela implementação da coleta seletiva e limpeza das escolas e postos de saúde do município de Cruzeiro do Sul, tiveram um dia de campo nos quatro cantos da cidade, numa verdadeira campanha por uma cidade limpa, distribuindo panfletos informativos com viés de educação ambiental.

Esta campanha tem como objetivo informar o cidadão cruzeirense como e quando dispor os resíduos sólidos urbanos para a coleta quanto ao horário que o caminhão de coleta passa em nossas portas, obedecendo sempre o critério de dispor o lixo no máximo 30 minutos antes do caminhão passar, e que tipo de resíduo é permitido dispor para este tipo de coleta, dando ciência também do que é lixo considerado como entulho e quanto ao procedimento a ser adotado para a disposição e coleta de entulhos oriundo de suas residências ou quintais.

Também foi objeto desta campanha orientar os cidadãos cruzeirenses, quanto a necessidade de ensacar o lixo antes de colocar na lixeira em nossas portas e, principalmente quanto aos cuidados que devem tomar com materiais cortantes para evitar acidentes para quem está cuidando da limpeza de nossa cidade retirando o lixo das nossas portas, considerando que alí está um ser humano, nosso gari, e que também é um cidadão cruzeirense, portanto, nosso irmão, que está desempenhando um trabalho digno e honesto numa jornada de trabalho muito puxada e que merece todo nosso respeito, carinho e considerações.

Durante a programação a equipe do CBCN pôde conhecer toda logística e funcionamento do sistema de coleta e demais serviços que compõem o sistema de limpeza urbana, bem como, técnicas de abordagem para o melhor atendimento possível à população cruzeirense.

Visando uma melhor qualidade de vida para a população de Cruzeiro do Sul, as ações realizadas por diversos setores municipais e ONG CBCN vem se intensificando para garantir o desenvolvimento do município. Nesta ocasião, a organização de um mutirão de educação ambiental teve como objetivo integrar a população ao novo sistema de coleta e principalmente, aprender a distinguir o que é lixo domiciliar e o que é entulho, como descartar correto os nossos resíduos e ajustes de nossos hábitos considerando os novos horários de coleta pelos caminhões coletores.

A coordenadora regional do CBCN Rosa Sampaio, priorizou em seu discurso a grande importância desta integração seguindo todos os parâmetros da legislação para o desenvolvimento de uma nova educação ambiental, para juntos construirmos uma cidade  educada, unindo esforços com todos as parcerias como forma de multiplicar as informações, gerando novos impactos de mudança nos hábitos da população, visando a melhoria da limpeza, e principalmente a saúde pública dos nossos munícipes e a preservação do nosso meio ambiente.

De acordo com o gerente de saneamento básico Eutimar, muitas ações ainda serão necessárias para atingir as metas traçadas e necessárias, mas, as mudanças já são visíveis.

Publicado em Blog

O governador Tião Viana (PT) fez um “limpa” da família Santiago nessa reta final do governo. No feriado desta segunda-feira, 6, demitiu mulher e filhos do ex-deputado Elson Santiago, depois de este confirmar sua candidatura a deputado estadual pelo PTC, partido presidido pelo seu sobrinho, Júnior Santigo, filho do ex-deputado federal Ronivon. Júnior vai disputar para federal e insiste em uma chapinha, enquanto Elson certamente se elegerá outra vez estadual. No Diário Oficial desta segunda só deu a “Santiago Family”. É o rito normal da política. O destaque da história é a volta do clã para a oposição.    

Publicado em Blog

 

O digital influencer Wagner Lopes, administrador por formação, é um dos maiores defensores do legado do deputado federal Flaviano Melo (MDB), quando este foi prefeito de Rio Branco e governador do Acre.
Para Wagner, Flaviano é um "Velho Lobo", como o ex-jogador e ex-técnico campeão do mundo pela Seleção Brasileira Mário Jorge Lobo Zagalo: "Levando para a política, Flaviano Melo é um campeão igual ao Zagalo, pois ganhou tudo o que disputou. Ele sim tem moral para ensinar qualquer candidato como ganhar uma eleição e qualquer gestor a como realizar obras de qualidade.  É respeitado até pelos mais vorazes inimigos políticos, os petistas. Por isso que decidi chamá-lo de Velho Lobo, porque sua história de vitórias”, diz.

Wagner sugere que os jovens precisam saber um pouco sobre o passado, que o PT insiste em dizer que o Acre só existiu depois deles. Ai é onde entra Flaviano, um dos maiores construtores de obras estruturantes no Acre. "Os petistas ficam se jactando, utilizando os elementos mais sórdidos da mentira para apagar da história os feitos do Velho Lobo do MDB. E é meu papel mostrar para essa geração digital quem realmente fez muito pelo Acre, principalmente as obras de infraestruturas foram feitas com qualidade inquestionáveis. Nas gestões do PT, terminava uma rua hoje e amanhã já vinha uma equipe de tapa-buraco para reparar o mal feito. Velho Lobo fez ruas que duravam mais de 20 anos. E o povo precisa saber disso. Ele fez obras como os elevados de distribuição de água, o Manoel Julião, só para citar dois", finalizou.

Publicado em Blog

A despeito do vazamento de uma conversa entre delegados de polícia por meio da qual eles elogiam o pré-candidato a vice de Marcus Alexandre, do PT, o ex-secretário de Segurança, Emilson Farias, o pré-vice de Gladson Cameli (PP), deputado federal Major Rocha (PSDB), reagiu assim: “É normal alguns delegados elogiar o vice do PT, agora esse partido vai ver o que é despencar ainda mais nas pesquisas é quando a população do Acre souber, de verdade, que o vice do candidato do PT é o homem que deixou a segurança do Acre na situação em que está”.    

Publicado em Blog

A família Aquino, uma das mais tradicionais de Porto Acre, vai apoiar a oposição nas eleições desse ano para o Governo do Acre. Entre os mais destacados do clã estão o Carlos “Xêpa”, um ex-goleiro de futebol que atuou nos campos do Acre e do Amazonas, além de ser um dos fundadores do PDT no Estado, e ninguém menos que o atual vice-prefeito do município, Augusto Aquino, eleito pelo PV. A notícia fresquinha dá conta de que pelo menos esse último está se filiando no PP do senador Gladson Cameli. Eles alegam o trivial: desilusão com a política da esquerda. Quanto a gestão do prefeito Bené Damasceno (PROS), o vice continua mais parceiro do que nunca. Vai cumprir o mandato a que se propôs.   

Publicado em Blog

 

O povo do Acre só conhece, ou só conhecia, uma versão da guerra travada por acreanos com a Bolívia no início do século, aqueles romântica, segundo a qual, um grupo de “seringueiros” entregou a própria vida para tomar essa região dos vizinhos indesejáveis. Pois o professor doutor Eduardo Carneiro traz à baila uma versão nada ortodoxa do conflito, que pode, segundo ele, ter ocorrido por interesses financeiros. Veja o que ele disse ao Blog do Evandro Cordeiro:  

 

- Por que 6 de Agosto?

 

Porque foi nesta data que as tropas acreanas tiveram sua primeira vitória sob a liderança de Plácido de Castro rumo à rendição boliviana. Como a historiografia oficial não gosta de enfatizar derrotas, deu-se importância secundária aos movimentos de resistência ao governo boliviano anteriores ao de Plácido de Castro, como por exemplo, aqueles liderados por José Carvalho (1899), Luiz Galvez (1899), Orlando Lopes e Rodrigo de Carvalho (1900), etc.

 

- Qual a sua visão sobre os fatos ocorridos no “6 de Agosto”?

 

Em uma carta de 18 de junho de 1902, portanto, antes do início da “Revolução” do 6 de agosto, Rodrigo de Carvalho diz: “baldeamos a carga da Maria Thereza, a bordo dela vem o Dr. Gentil com armamento e um capitão com vinte e tantos soldados, comissionados pelo governador para fazer a revolução” (apud OURIQUE, 1907, p. 223, grifo nosso). Se levarmos em consideração que o próprio Plácido de Castro afirmou ter iniciado o combate contra os bolivianos em 6 de agosto de 1902 com apenas 33 homens (Cf. CASTRO, 2002, p. 56), fica fácil deduzirmos que o episódio inaugural da “Revolução Acriana” ou da “Grande Revolução” foi protagonizado por mercenários. Assim sendo, não foram os acrianos que lutaram por amor ao Brasil e sim mercenários que lutaram por amor ao dinheiro.

 

- O senhor quer dizer que a revolução não foi feita por acreanos?

 

Primeiro de tudo, é bom esclarecer que, na época, não havia propriamente acreanos. Embora este gentílico já tenha sido usado desde o Estado Independente de Galvez, a construção identitária do ser acreano é um fenômeno simbólico construído a posteriore, ao longo do tempo. Segundo, todo processo de resistência à soberania estrangeira na região que hoje chamamos de Acre foi pensada e financiada por políticos e liberais de Manaus. Alguns dos brasileiros que residiam nos afluentes do Purus foram incorporados ao projeto de resistência, no entanto, isso não quer dizer que foram eles, os “acrianos” (brasileiros do Acre), os responsáveis pela “Revolução”.

Para os “barões da borracha”, “pouco lhes importa a procedência do herói. A sua origem. Ou sua moral. O que é preciso, e se impõe desesperadamente é salvar o Acre” (LIMA, 1998, p. 50). Zambrana (1904, p. 162) diz que “los revolucionarios del Acre, comandados por Plácido de Castro [...] se hallaban situados en Caquetá [...] tenían bajo sus órdenes fuera de las tropas revolucionarias, unos cincuenta o sesenta hombres de la guarnición estadoal de Manaos” [grifo nosso]. Parece ser inegável que havia pessoas comissionadas nas tropas revolucionárias, ou seja, que ali estavam sem qualquer motivação patriótica ou compromisso ideológico.

Outro indício de mercenarismo é a considerável quantidade de estrangeiros nas tropas acrianas. Fato comprovado pela lista dos veteranos da “Revolução Acriana” produzida durante a feitura do Projeto de Lei que pretendia conceder pensão aos ex-combatentes (Lei Nº 380, de 10 de setembro de 1948). Fica difícil acreditar que esses estrangeiros, que mal haviam chegado ao Brasil, tenham empunhado armas para tornar o Acre o único Estado “brasileiro por opção”.  Resumindo, é possível que a dita Revolução tenha iniciado mais por força dos “não-acreanos” (políticos e liberais de Manaus e e mercenários contratados) do que propriamente dos acreanos.

 

- O que você tem a dizer sobre as comemorações do “6 de agosto”?

 

“O 6 de agosto só passou a ser comemorado a partir de 1910. O que significa dizer que a data não assumiu importância que se dá hoje logo nos primeiros anos após a dita Revolução. Apenas quando Epaminondas Jácome, auxiliar médico das tropas de Plácido de Castro, foi nomeado prefeito do Departamento do Alto Acre, foi que, por força institucional, o “povo” passou a comemorar tal data. Quando prefeito, ele decretou feriado nas repartições públicas para as datas 6 de agosto e 24 de janeiro. Ou seja, a data ganha importância social de cima para baixo e não por iniciativa popular. Se o poder executivo hoje deixar de promover festas cívicas ou feriado nesta data, em menos de uma geração ela será esquecida na memória coletiva.

 

 

- Você concorda que o “6 de Agosto” seja realmente a data da genealogia do Acre?

 

“Não. O marco fundacional do Acre foi a expansão imperialista para a Amazônia. A escolha do 06 de agosto reflete um posicionamento episódico e provinciano do processo histórico. É preciso analisar a história para além da escala de observação local e regional. A história do Acre deve ser compreendida como um capítulo da história da expansão do capitalismo. A história do Acre não começa com a Revolução Acriana, muito menos com a migração nordestina para a região, mas com a expansão da Economia-Mundo Capitalista para o interior sul-ocidental amazônico. Começa com a inserção daquele reservatório natural de seringueira na cadeia produtivo-mercantil dos países imperialistas. Resumindo: o Acre foi gerado pelo imperialismo no ventre da ganância dos brasileiros que migraram para a região. Do ponto de vista jurídico, enquanto território nacional, nasceu de fato e de direito com o Tratado de Petrópolis (1903).

 

- Quais foram as causas da revolução acreana?

 

"É triste dizer, mais a Revolução Acriana tanto enaltecida pela história e literatura oficiais não passou de um conflito armada em defesa da propriedade privada dos seringalistas e do monopólio da cobrança de impostos sobre a produção da borracha pelo Governo do Amazonas. Mas é óbvio que tais motivos jamais figurariam nos documentos oficiais escritos pelos líderes da dita “revolução”. Eles precisavam mobilizar a opinião pública nacional em favor da causa deles e, para isso, ardilosamente, fizeram uso abusivo das palavras pátria e patriotismo em seus discursos justificatórios. Afinal, era preciso beatificar aquela ação criminosa, sanguinária, classicista e interesseira com argumentos nobres e altruísta”.

 

- Lutaram para ser brasileiros?

 

Ter brasileiros na região, não faz da região um território brasileiro. Assim como o bairro da Liberdade em São Paulo não deixa de ser brasileiro mesmo sediando a maior colônia japonesa do mundo. Os brasileiros não perderiam sua nacionalidade, apenas se tornariam estrangeiros em regiões bolivianas. Volto a dizer, que o que estava em jogo de fato era a nacionalidade do território, dos impostos e da borracha, portanto, o patriotismo não passava de uma artimanha retórica para mobilizar a opinião pública nacional em favor dos interesses fundiários dos seringalistas e das rendas fiscais do governo do Amazonas. E foi exatamente a defesa desses dois interesses que ocasionaram a chamada Revolução Acreana que, diga-se de passagem, não pôs fim a Questão do Acre, pelo contrário, apenas serviu para dar visibilidade nacional à mesma, além, é claro, de produzir dezenas de cadáveres.

 

- O senhor está querendo dizer que a tão comemorada Revolução Acreana não foi a responsável pela anexação do Acre ao Brasil?

 

 

Não sou eu quem diz, são as evidências históricas quem afirmam isso. Basta analisar os fatos sem o preciosismo típico da literatura acreanocentrica. Senão vejamos: a) independente do conceito de “Revolução Acreana”, quer seja todos os eventos de resistência ao governo boliviano, quer seja apenas aquele liderado militarmente por Plácido de Castro, ela nunca resultou na incorporação de um palmo de terra sequer ao Brasil, o máximo que fez foi tornar o Acre um país independente; b) a vitória militar obtida contra o “miúdo” exército boliviano pelas tropas acreanas em Puerto Alonso em janeiro de 1903 não foi definitiva, já que o próprio Presidente da Bolívia, juntamente com o seu Ministro de Guerra e tropas bolivianas, ameaçaram invadir a região; c) O Barão do Rio Branco, sabendo da repercussão negativa que a desforra poderia ocasionar ao governo federal, fez de tudo para evitar a carnificina, por isso que tratou logo de acordar um modus vivendis com o governo boliviano; d) a vitória militar parcial obtida pelos acreanos em janeiro de 1993 contra os bolivianos não representou o fim dda Questão do Acre, pois o território já estava “arrendado” para o Bolivian Sindicate e, contra esse sindicato internacional, os acreanos pouco ou nada podiam fazer; além do mais, a Revolução, no máximo, garantiria a posse de terra dos brasileiros na região do Purus, já que a do Juruá, o conflito era com os peruanos e não com os bolivianos; e) a dita Revolução foi mais obra da iniciativa do governo do Amazonas do que a dos acreanos propriamente ditos; Plácido de Castro nunca foi o mentor intelectual e nem o político da Revolução, no máximo, foi um líder militar convidado (ou contratado?) para uma causa que não era dele. Sem a renúncia do Bolivian Syndicate assinada em 26 de janeiro de 1903 e sem a assinatura do modus-vivendi em 21 de março de 1903, tanto o destino do Acre, quanto o dos acreanos estava em suspenso. Por isso é que digo que o destino deles foi mais um resultado diplomático traçado nos gabinetes ministeriais do que um resultado militar traçado nos campos de batalha. Em resumo: a Revolução chegou ao fim sem que o Acre fosse nacionalizado.

 

 

- Sobre Plácido de Castro o que o senhor tem a dizer?

 

 

"Qual Plácido de Castro iremos abordar? O militar maragato rio-grandense? O agrimensor? O chefe das tropas acreanas? O seringalista? O presidente do Estado Independente do Acre? O ditador do Acre Meridional? O prefeito do Departamento do Alto Acre? Ou o herói nacional? A visão multifocal do personagem nos trás o seguinte questionamento: é realmente salutar ao povo acreano nutrir a admiração por um latifundiário, assassino e político autoritário? A história nos diz que ele fez tudo por amor à pátria e é somente esse lado do Herói Nacional que nos é ensinado nas escolas". Mas será mesmo que tal sentimento movia o comportamento deste cidadão? Uma coisa eu digo, ninguém vinha a ao Inferno Verde impunemente.

"Devemos nos perguntar sobre o porque que somente Plácido de Castro se tornou o herói dos acreanos? Por que a veneração não se estendeu aos governadores do Amazonas Ramalho Júnior e Silvério Néri, os verdadeiros responsáveis pelo financiamento do movimento de resistência à soberania boliviana na região? Por que Rodrigo de Carvalho não foi reconhecido como herói? Ele era o principal articulador local da Revolução Acreana, diferentemente de Plácido de Castro, ele esteve presente desde o início, quando foi formada a Junta Revolucionária em 1899. Por que Souza Braga não virou herói? Ele foi um dos cinco principais seringalistas da região a atuar na Revolução Acreana e chegou a ser o segundo presidente do Estado Independente do Acre. E os seringueiros? E os acreanos que guerrearam contra os peruanos no Alto Juruá?"

 

- É sabido que sem a intervenção do Itamarati e das articulações feitas por Barão do Rio Branco o Acre nunca teria se tornado brasileiro. Então, por que Plácido de Castro recebeu tanta projeção local como herói dos acreanos?

 

 

Simples, pois os autonomistas preferiram consagrar um líder local do que um nacional. Não devemos esquecer que o Barão do Rio Branco foi um dos mentores do “rebaixamento” do Acre à condição de Território, e tê-lo como herói não era estratégico para a causa autonomista. Os autonomistas queriam tornar o Acre um Estado, para tal propósito, era mais estratégico a escolha de liderança local como herói. O “Barão” sendo aceito como “pai do Acre”, ficaria mais fácil justificar o domínio político federal naquele território. O diplomata Barão do Rio Branco encarnava melhor o caráter nacional dos republicanos. Em contrapartida, a figura de Plácido de Castro fortalecia o regionalismo dos “coronéis” do Acre.  A idolatria a Plácido de Castro foi uma tradição construída e mantida postumamente.  Enquanto esteve vivo, nenhum prefeito endossou práticas comemorativas à “Revolução” ou aos “heróis da Revolução”, muito menos ao próprio Plácido de Castro. A consagração dele como “herói do Acre” só aconteceu porque ao longo da história não faltou quem obtivesse algum tipo de ganho simbólico ou dividendo político com a exaltação dele. Primeiramente os autonomistas, que fizeram dele um patrono de suas causas, depois os próprios militares, que exaltavam Plácido de Castro mais por ele ter sido um militar do que um “revolucionário”. Na literatura nacional, porém, é comum encontrarmos quem dedique o sucesso da anexação do Acre ao Brasil ao Barão do Rio Branco e não a Plácido de Castro. “Rio Branco” foi nomeado um dos centros comerciais mais importantes do Acre naquele início de século. O governo federal, através dos prefeitos, rendia-lhe homenagens, tratando-o como “patrono do Acre” (jornal Acreano, de Xapuri, 1 de novembro de 1909, Nº 56, primeira página). O Barão do Rio Branco ainda estava vivo e seu nome passou a ser utilizado em ruas, estabelecimentos públicos e praça. Sem dizer do “17 de novembro”, data da assinatura do Tratado de Petrópolis, que também virou nome de escola e outros.

 

 

- Porém Plácido de Castro é considerado o libertador do Acre...

 

"O gaúcho Plácido de Castro foi um libertador? Todos os Tratados Internacionais negam o pertencimento do Acre ao Brasil: Bula Papal Intercoetera (1493) Tratado de Tordesilhas (1494), Tratado de Madri (1750), Tratado de El Pardo (1761), Tratado de Santo Ildefonso (1777) e o Tratado de Badajós (1801). O próprio Brasil Imperial reconhecia que o Acre pertencia à Bolívia através do Tratado de Ayacucho (1867) e por inúmeras vezes o Brasil Republicano confirmara o prescrito em 1967. Então, o agrimensor libertou o Acre de seus legítimos donos?"

"Qual Acre foi libertado pelo gaúcho? O Acre Meridional ou o Setentrional? O Alto-Purus ou o Alto-Juruá? Como a própria história relata, a “revolução” liderada pelo gaúcho limitou-se ao Vale do Rio Acre, mais precisamente em Xapurí, Brasiléia, Rio Branco e Porto Acre. Ora, então quem libertou o restante do Acre? A região banhada pelo rio Juruá e seus afluentes, que também eram terras litigiosas do ponto de vista peruano, não conheceu a “revolução” de Plácido de Castro. O “herói”, inclusive, nem se quer foi testemunha da legalização e anexação definitiva do Juruá ao Brasil, pois ele foi assassinado em agosto de 1908 e a assinatura do Tratado Brasil-Peru aconteceu em setembro de 1909".  

"O coronel Plácido de Castro libertou o Vale do Rio Acre? O correto seria afirmar que as tropas acreanas obtiveram importantes vitórias sobre os bolivianos nessa região. No entanto, a conquista não estava plenamente definida. Isso por dois motivos: Primeiramente, por que tão logo a notícia da peripécia dos seringueiros chegou ao Andes, o próprio presidente da Bolívia, General Pando, organizou uma megaoperação militar de libertação. Em segundo lugar, o Acre já havia sido arrendado ao Bolivian Syndicate desde 21 de dezembro de 1901. Toda luta contra a Bolívia seria inglória se levado em consideração que o Consórcio não aceitaria qualquer prejuízo com o Acre".

 

- No período do centenário da revolução o Governo do Estado fez bastante uso da ideia de revolução. O que o senhor tem a dizer?

 

 "O Governo da Frente Popular do Acre construiu uma engenharia política de legitimação do poder na qual o discurso histórico teve importância privilegiada. Nunca na história do Estado do Acre um governo fez tanto uso de festas cívicas, homenagens, culto à bandeira, construções de monumentos, tombamento de bens e construção de espaços de memória. A estratégia não é tão difícil de entender. Abusaram da mídia para fomentar um acreanismo com base na história epopeica do Acre e durante as comemorações das datas cívicas ou na inauguração de um espaço de memória procuraram se filiaram a essa a essa história dizendo que a Revolução Acreana não havia sido plenamente acabada, já que os ideais e sonhos de seus líderes estavam sendo resgatados e colocados em prática na atualidade. O objetivo foi fazer com que o povo olhasse o mandatário do Poder Executivo como um novo herói e a implantação do Desenvolvimento Sustentável como uma revolução. A exaltação do passado era uma desculpa para a afirmação do presente. Tudo fazia crer que a história do Acre motivada pelo passado viveria no presente o ápice dessa glória".

"Veja o caso do sindicalista Chico Mendes. Primeiro o Governo da Frente Popular fez de tudo para diviniza-lo. Depois se aproveitou desse ser beatificado para fazê-lo um cabo eleitoral, um garoto propaganda do governo. O Partido dos Trabalhadores no Acre se apropriaram politicamente da imagem de Chico Mendes alegando que o Governo da Frente Popular nada mais estava fazendo do que colocar na prática os sonhos do sindicalista. Durante anos a imagem de Chico Mendes figurou no cabeçalho do site do PT (Ac). Quem criticariam os herdeiros político de Chico Mendes? Pois é, a mesma estratégia foi usada com a Revolução Acreana e com Plácido de Castro, ao se filiarem a essa história gloriosa, se tornavam candidatos a receberem no presente a veneração e as honras, a princípio, direcionada somente ao passado".

O grande diferencial do Governo da Frente Popular do Acre com relação aos outros governos no que tange às comemorações das datas cívicas alusivas à anexação do Acre foi que a Frente Popular inaugurou uma nova tradição de interpretação ou uma nova tradição de sentidos: a da Revolução Acreana inacabada. Dessa forma conseguiu-se criar uma história epopeica de uma ponta à outra. De Galvez aos Irmãos Viana. O povo foi ensinado a perceber, no tempo, presente as novas revoluções, os novos heróis, e os novos atos de bravura”.

 

 

- Faça suas considerações finais

 

 

Em minha opinião, todas as datas festivas ligadas à fundação do Acre são memoriais da intolerância e do etnocentrismo. Comemorar esse passado é tornar tais práticas aceitáveis e dignas de louvor. Veja por exemplo o caso do genocídio indígena, a historiografia oficial ainda tenta inocentar os heróis acreanos desse flagelo. Mais o fenômeno das correrias fez do território acreano um sepulcro aberto que exala odores fúnebres até os dias de hoje".

Publicado em Blog

 

Mesmo as pressas bati um papo com o ex-deputado Narciso Mendes, um empresário que já foi campeão de empregos no Acre, e na pauta, eleições. Mas especificamente sobre a discussão entre cabos eleitorais do PT e da oposição nas redes sociais sobre a quantidade de gente que foi nas convenções. Sabido que só ele sobre política e sobre quase tudo, Mendes deu o veredito: “É subjetivo discutir quantidade de gente em convenção, homem. A vitória vem lá de fora. A onda vem do povão que está em casa, lá no bairro. Na convenção vai os carneirinhos que já tem dono”.

Foi tão perfeita a análise do Narciso que eu nem perguntei mais nada. Se bem que ele falou e já foi saindo fora. Talvez não tivesse chance de perguntar mais mesmo.   

Publicado em Blog

O ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales (MDB), um dos recordistas de mandatos na oposição, disse ao Blog do Evandro Cordeiro no salão do Sesc Bosque, onde acontecia a convenção que oficializou o senador Gladson Cameli (PP) como candidato a governador, que a eleição não está ganha. “A festa é linda, tem gente que não cabe mais, as pessoas estão empolgadas, mas a eleição não está ganha. O PT acostumou-se ao poder e já provou que vende até a mãe para continuar governando”, afirmou.

Vagner disse que tem andando pelo interior pedindo votos para a filha, a deputada federal Jéssica Sales (MDB), e tem observado como as pessoas estão desiludidas com o PT. O problema, segundo ele, é que as demonstrações passadas são um exemplo de que eles não venderão barata uma derrota. “É só lembrar das eleições de 2010 e 2014, até hoje suspeitas. Eles estavam derrotados e veja o que eles fizeram. Eu tenho dito para nossos eleitores, por ando, desempolga. Não tem nada ganho”, diz o experiente adversário do PT.   

Publicado em Blog

 

O senador Gladson Cameli (PP), agora candidato oficial das oposições ao governo do Acre, pediu durante a convenção, na noite deste sábado, 4, que a militância não revide as agressões dos grupos convocados pelo PT para agredi-lo nas redes sociais. “Não vamos revidar, meus irmãos”, disse Cameli, vítima dos ataques mais brutais da história da rede social no Estado.

Nos últimos dias, com a publicação de pesquisas em que Gladson aparece com larga vantagem a frente do candidato do PT, Marcus Alexandre, os ataques tem se intensificado. Além de acusações mais pesadas, que partem de figuras maiores da esquerda acreana, o “andar de baixo” do governo tem ido para a apelação, como insinuar sobre a vida particular dele.

Ao coordenar a convenção “de coração” ele pediu que ninguém revide para não tornar a campanha suja e eivada de baixarias. “Já estamos perto da vitória. Falta pouco, não vamos entrar na onda deles”, diz Cameli, acostumado a pancadaria do PT nas últimas eleições.       

Publicado em Blog