02 Set 2017

Seu Hélio

 

Por Franscisco Braga

 

“...Eu, graças à Deus, peguei esse apelido de artista...”

Seu Hélio Melo foi um grande artista plástico brasileiro – Acreano-universal, como costuma dizer e escrever o jornalista Naylor George – que conheci... Conheci não! Tive o privilégio de conhecer e conversar com ele e vê-lo pintar, sorrir e ouvi-lo tocar sua rabeca e contar seus causos, suas engraçadíssimas estórias e me chamar de meu fí. Seu Hélio foi uma presença magnífica que Deus deixou a gente, deste planeta, usufruir enquanto pôde.

Certa vez, o ator Ivan de Castela, grande amigo do pintor, me confidenciou e até pediu que eu escrevesse sobre um ocorrido a respeito de Hélio Melo. Minha memória tem agido como uma bela máquina do tempo, anda a me dar presentes vindos do passado. Um bem passado tempo, com gente que a gente não deve esquecer e também, quem é d’agora, do presente, com certeza deve conhecer Hélio Melo, um “mero” artista acreano.

Simples como a natureza é, Seu Hélio era. Pintava com tintas extraídas das plantas da mata que ele conhecia bem. Simples como a vida é, ele era. Seu Hélio é a própria natureza. Hélio Melo é simplesmente magnífico. Numa conversa de botequim, depois de sairmos de uma vernissage do também artista plástico, Danilo de S’Acre, me presenteou com um cartão, pintado por ele mesmo e confirmou, com detalhes o que o Ivan havia me contado à boca larga.

Quem quiser conhecer, quem teve a oportunidade de conhece-lo pode ver e ouvir esse grande artista brasileiro no documentário A peleja de Hélio Melo com o Mapinguari do Antimary, do cineasta Sílvio Margarido, produzido pelo saudoso Jorge Nazaré. Mas, vamos à vaca verde morta, em cima do galho da árvore. O Ivan disse assim, rindo... Rindo não! Gargalhando!:

- Braga, tu num vai acreditar! Rá-rá-rá-rá!

E ria demais, e eu comecei a rir junto. Num sabia nem o que diabos era o motivo da risadagem, mas gargalhada é gargalhada, a gente escuta e vai no rumo e gargalha também. E ele tentava contar a respeito do motivo de sua alegria exacerbada e mais gente que estava perto ria muito também. É que o Seu Hélio Melo recusou um convite para uma homenagem em Paris, onde há exposta uma de suas obras.

- Uma viagem à França, com tudo pago, ele e acompanhante... Rá-rá-rá! A porra do Hélio disse que não poderá ir, porque o evento cai justamente no dia vinte de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro de Xapuri e ele não pode perder a procissão! Rá-rá-rá! Acredita nisso? Rá-rá-rá!

Hélio Melo, nascido no Antimary, coração do Acre, brasileiro, universal.

*No fotograma abaixo, capturado pelo genial Silvio Margarido: Hélio Melo, Ivan de Castela, Dalmir Ferreira e o nosso inesquecível Jorge Nazaré.

 

 

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