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Paulinho da Força reafirma compromisso com pré-candidatura de Vanda Milani a federal

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02 Out 2017

SOBEJO DA MORTE Ronaldo Queiroz desceu daquele avião que caiu em Sena Madureira, em 1971, matando todos os passageiros

D Gioc

Um soldado do Exército que estava doente fez a tripulação do DC-3 da Cruzeiro Linhas Aéreas que já taxiava na pista do aeroporto de Sena Madureira para decolar com destino a Rio Branco, naquela manhã de 28 de setembro de 1971, “convidar” dois passageiros a desembarcar para dar lugar ao militar. Um desses tirados da aeronave, frustrado porque era seu primeiro vôo e porque vinha se encontrar com sua mãe, que estava na capital, é o hoje superintendente do Idaf no Acre, Ronaldo Queiroz. O Blog do Evandro Cordeiro ouviu o Ronaldo, para, 46 anos depois, tentar entender como o destino tão sutilmente tira as pessoas do caixão ou as colocam, sem que ninguém perceba. Ele tinha 6 anos na época, mas puxa o fôlego bem forte ao ser abordado sobre o assunto. “Ainda fico nervoso porque me lembro de tudo, até da cor da roupa e da bolsa que eu trazia”, conta o “sobejo da morte”.
O “aniversário” da tragédia é sempre lembrado a cada ano pelas mais variadas razões, uma delas o fato de aquele aparelho transportar o então bispo da prelazia Acre-Purus, o italiano Dom Giocondo Maria Grotti, recém-chegado no Estado, para substituir o bispo Fontenele de Castro. Giocondo não era, todavia, a única pessoa importante dentre daquele aparelho. Aquele vôo tinha saído cedo de Cruzeiro do Sul com muita gente da alta sociedade, principalmente pessoas ligadas ao setor empresarial e comercial. Parou em Tarauacá, onde também embarcaram comerciantes e empresários, repetiu a dose em Feijó, e, finalmente, em Sena Madureira. Seu Osvaldo Dias Magalhães, um emergente comerciante do Juruá, era um dos passageiros. Osvaldo vem a ser o pai do ex-deputado estadual Edvaldo Magalhães.
O avião então decolou às 10hs na direção da boca do Purus. Pouco mais de um minuto depois o motor direito para. O piloto tenta retornar para a pista, mas empurrado por apenas um motor, a aeronave perde altura e enquanto fazia a curva começou a se chocar com a copa de arvores, até cair na boca do rio Caeté. O aparelho pegou fogo e todos os passageiros, muitos vivos ainda, provavelmente, foram carbonizados. Saldo: 32 pessoas mortas. É a maior tragédia aérea do Acre e do Brasil para a época.
Mas toda essa maçante e macabra sequência entre a decolagem e a queda reservou para a história algumas coincidências para a alegria eterna, além luto para a eternidade. O Ronaldo Queiroz, de tradicional família de Sena Madureira, filho do seu Romariz de Queiroz Costa e da dona Gildaceles Guedes de Queiroz, deveria estar dentro da aeronave, mas não estava. Ele era o garoto que teve que deixar a poltrona junto com seu tio Oliveira para dar lugar ao soldado do Exército Pedro Freitas, doente e que precisava ser trazido para Rio Branco. “Ainda hoje sinto um frio na barriga, porque eu desci muito chateado daquele avião. Era meu primeiro vôo. E minha mãe estava em Rio Branco. Eu estava louco para me encontrar com ela. Voltamos para casa e quando cheguei na sala ouvi aquele barulho na cidade, aquela correria e uma fumaça que cobriu a Sena. Pouco depois foi que entendi tudo”, conta.
Ronaldo Queiroz até hoje é paparicado pelos quatro irmãos, tratado como sobejo da morte não sem razão. Ele entrou no avião, mas saiu para dar lugar a alguém que perderia a vida. Assim, se foram 46 anos e a resposta para a pergunta que eu fiz ao Ronaldo vai ficar para a próxima oportunidade, talvez. Ele, nem ninguém, até hoje, sabe interpretar o destino. “É impossível interpretar essas coisas. O destino é o destino. Eu e meu tio ficamos para contar a história, que até hoje ainda me deixa irrequieto. Fiquei traumatizado com avião e até hoje, quando é para entrar numa aeronave, ainda sinto”, conta o dono da sorte grande daquele 28 de setembro de 1971, data marcada por uma tragédia que parece estar fadada a nunca ser esquecida no Purus, no Acre e no Brasil.

Aviao D Gioc

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