26 SP_MAIO 2018

O ex-deputado Moisés Diniz é, aos 55 anos de idade, o acreano de Tarauacá mais discutido do momento. Não sem razão. Ele acaba de deixar a UTI de um hospital contando uma experiência daquelas que mais atrai os homens: uma rápida passagem pelo além. Ele já contou quase tudo o que viveu quando “morreu” por sua página no Facebook, mas em uma conversa curtinha com o Blog ele falou de como estar a vida depois do acontecido. Veja o que ele disse:    

 

Blog - Deputado, a publicação de sua experiência com a "quase morte" virou uma romaria no Facebook. O que o senhor enxerga com tanta curiosidade das pessoas diante de um assunto tão complexo?

 

Moisés Diniz - Acho que é o desejo de todo ser humano de ser feliz, de ajudar os outros. O desejo de eternidade que está dentro de todos nós. É a nossa área límbica funcionando, nosso cérebro neolítico, quando deixamos de ser agressivos répteis para nos tornar amorosos mamíferos, quando surgiu o útero de um filho por gestação e a amamentação. A mãe amamentava e cuidava. Acho que, lá dentro, Deus estava formando o homem. Quando Deus nos fez do barro (que agora a ciência comprovou essa origem) Ele quis que o homem vencesse todas as etapas da vida, que nossa alma fosse ficando cada vez mais eterna, cada vez mais bondosa. O homem nasce bom, com influência genética sim, mas, a sociedade o melhora ou o piora. Imagine se eu fosse candidato, já tinha gente dizendo que eu estava querendo me promover. Deus faz tudo correto no tempo dele.

 

Blog - Depois de tudo isso como é a vida enxergada pelo Moisés Diniz?

 

Moisés Diniz - Hoje fui caminhar cedo. Quando passei em frente à Fundacre, vi um homem correndo (saindo de lá), com a roupa de hospital e material tipo soro e esparadrapo nas mãos. Ele corria e eu não conseguia alcançá-lo. Pensei que era um paciente fugindo. Quando o alcancei, e perguntei como ele estava, ele disse que estava bem. Era um funcionário, que estava apressado, pra ir aplicar uma injeção na sua avó, no Esperança. Acho que sofri um choque de Deus e tenho que ter humildade pra encontrar o caminho da gratidão com Ele.

 

Blog – Passado o momento o senhor já decidiu o que fazer no resto de vida que lhe resta? Vai disputar outras eleições, vai cuidar da família, ou só cuidar da espiritualidade?

 

Moisés Diniz - Só Deus pra me dar essas respostas todas. Vamos seguir. A vida está muito difícil e o melhor agasalho é estar perto de quem te ama, da tua família, procurar os velhos amigos, pedir desculpas pela ausência, fazer o bem, não guardar riquezas que as traças comem, tentar ser honesto (o que é uma guerra diária), cuidar do corpo e da mente e, principalmente, lutar pra não perder a nossa alma.

Publicado em Blog

Informações adicionais

  • Post type Standard
26 SP_MAIO 2018

De próprio punho, o deputado federal Moisés Diniz (PCdoB) faz um balanço do mandato dele. Veja a seguir:

“Nesses quinze meses de mandato na Câmara dos Deputados, enfrentando muitas dificuldades, tentei servir ao povo do Acre, com lealdade, esforço pessoal e ética.

- Mobilizei a bancada acreana, parlamentares de outros Estados e líderes Sabatistas do Brasil, pra tirar o Sábado das provas do ENEM. Vencemos no MEC e agora estamos com projeto de lei já aprovado em duas comissões e tramitando na CCJ,

- Sugeri e foi aprovada emenda de bancada (impositiva), de 20 milhões de reais, para interiorização da UFAC. Seguiremos na luta para implantar e construir o Campus Avançado de Tarauacá-Feijó,

- Liderei a criação da Frente Parlamentar em Defesa das Companhias Elétricas, em especial, da ELETROACRE,

- Consegui 217 assinaturas para instituir PEC que federaliza o salário de Professores do ensino básico. Uma luta que vai se tornar forte no Brasil,

- Apresentei projeto de lei que isenta de IPI os PROFESSORES que comprarem carro zero,

- Consegui 212 assinaturas pra instituir PEC que destina 10% das emendas parlamentares para criação de Bolsas Estudantis,

- Articulei com outros parlamentares a criação da Universidade Aberta e de cursos universitários pra juventude indígena e rural dos municípios de difícil acesso,

- Fiz luta de rua contra a reforma da Previdência e me dedicarei, nos próximos meses, a ações mais radicalizadas a favor da aposentadoria dos trabalhadores,

- Entrei na Justiça contra os preços abusivos das passagens aéreas no Acre,

- Apresentei projeto de lei, obrigando que as MILHAS de passagens aéreas pagas com dinheiro público sejam destinadas ao TFD de cada Estado,

- Apresentei emendas parlamentares com foco na cultura (para as academias de letras) e na saúde, como reforma do hospital de Jordão e aquisição de laboratórios e aparelhos de ultrassom para os municípios mais distantes da capital.

Em 2018, mesmo fora da política, seguiremos em outra frente de luta, que breve informarei aqui.

Que Deus abençoe o povo acreano e o Brasil! E que 2018 seja de fé, de luta e de paz!”

Publicado em Blog

Informações adicionais

  • Post type Standard
26 SP_MAIO 2018

O deputado federal Moises Diniz (PCdoB) confirmou ao Blog do Evandro Cordeiro que não disputará mais eleição, pelo menos em 2018. Mas adiantou que não é hora de dar entrevistas. “Ainda não é hora”, disse. Depois de muita insistência sobre o que teria acontecido, se vai deixar a Frente Popular, se deixa o partido, ele respondeu que ainda não é “hora de tocar trombeta”. Diniz anda desiludido com a política faz tempo, mas ter sido rifado da escolha do candidato a vice-governador pode ter sido a gota d’água.       

Publicado em Blog

Informações adicionais

  • Post type Standard
26 SP_MAIO 2018

A indicação do secretário de Segurança do Estado, Emylson Farias, como vice do candidato a governador do PT, Marcus Alexandre, acabou de decretar a falência do PCdoB. Os comunistas embalavam o sonho de indicar o deputado federal Moisés Diniz na chapa, mas ontem foi tudo por águas abaixo. Assim, o PCdoB, que no início da Frente Popular, era irmão ciamês do PT, além de ficar sem nada ainda terá que ir para o chapão do Partido dos Trabalhadores. Um comunista velho antigo enviou um zap ao Blog dizendo o seguinte: “Por mim, adeus tia Chica. Chegou a hora do PCdoB reagir”.        

Publicado em Blog

Informações adicionais

  • Post type Standard
26 SP_MAIO 2018

Em texto que divulgou nas redes sociais o deputado federal Moisés Diniz (PCdoB) faz homenagem aos 80 anos da Academia Acreana de Letras. Membro da AAL, desde que virou sucesso como autor, entre outras obras a que intitulou de “O Santo de Deus”, Diniz faz um apanhado histórico das oito décadas. Veja a seguir o texto dele:

“Os 80 anos da Academia Acreana de Letras é uma data magnífica, pela sua história, suas raízes e sua eterna relação com o Acre real, de seus instantes mágicos, de sua ancestralidade. Quando alguém, além de nossas fronteiras, afirma que o Acre é um lugar especial, um pedaço encantado do Brasil, como se o seu povo fosse feito de diamante, os mais apressados enxergam uma defesa exagerada da territorialidade ou um acreanismo sem nenhum valor.

Quando a Academia Acreana de Letras completa 80 anos, como uma pedra de carvão que fala, tem sentimento, torna-se diamante, chora, resiste, torna-se dia, noite, amante… Então, a gente pode comparar. Comparar o Acre com outros lugares desenvolvidos, bem dotados, nutridos. Inacreditável, como aqui as letras influenciaram a vida, deixaram marcas na história.

Em 17 de novembro de 1937, acreanos de valor fundaram a Academia Acreana de Letras. Apenas 34 anos separavam aquela data mágica da data de nossa própria existência como povo. Apenas 34 anos entre a existência do Acre brasileiro e a fundação de sua Academia de Letras, o lugar onde o palpável cede lugar ao abstrato da imaginação e da ternura das letras.

Ao nosso lado, o poderoso vizinho Amazonas demoraria 163 para fundar a sua academia de letras. Em 1755 era constituída a Capitania do Rio Negro e somente em 1918 seria criada a Academia Amazonense de Letras. Esse o exemplo do norte, da Amazônia.

Vamos ao rico sudeste. Minas Gerais, em 1709, já era o centro econômico da colônia, mas a sua academia de letras seria fundada somente em 1909. Nada menos do que 200 anos depois da existência daquele rico lugar. Exemplos não faltam. Em 1532 foi criada a Capitania de Pernambuco, mas a sua academia de letras foi criada somente 369 anos depois, em 1901.

A própria Bahia, onde foi forte e simbólico o desejo de olhar para a imaginação do homem e a sua rebeldia, somente em 1724 foi criada a Academia dos Esquecidos e depois a Academia dos Renascidos em 1759, duas das primeiras tentativas de dotar o Brasil de uma entidade cultural capaz de congregar os interesses literários. Ocorre que em 1572 já existiam dois governos no Brasil, o do Rio de Janeiro e o da Bahia. Assim, mesmo lá, a Academia de Letras só surgiria 152 anos depois.

Nem o Brasil e os seus 500 anos de história escapam à comparação. A Academia Brasileira de Letras foi fundada em 1897, nada menos do que 397 anos depois do descobrimento. Apesar de Machado de Assis. Aliás, dezenas e centenas de anos depois de muitos fatos importantes. A Academia Brasileira de Letras foi fundada 89 anos depois que a Família Real chegou ao Brasil.

O príncipe regente D. João fundou o Banco do Brasil, o Jardim Botânico, a Imprensa Real e a Escola de Medicina, mas não fundou a academia de letras. Pedro II proclamou a Independência, mas ainda demorou 75 anos para ser fundada a Academia de Letras do Brasil. Veio a Proclamação da República, mas não fundaram a Academia das Letras, que nasceria somente 8 anos depois.

No Acre tudo foi diferente. A letra nasceu primeiro, junto com a sua imaginação, a sua liberdade em relação ao poder, a sua autonomia intelectual e a sua eterna utopia. Fazer do Acre uma terra de homens e mulheres livres, decentes e felizes.

Por aqui, como meninos no meio das águas, acabávamos de completar 17 anos que tínhamos governador e apenas 3 anos que havíamos conquistado o direito de ter representante no congresso nacional, apenas duas vagas na imensidão do Brasil.

Assim, acredito que a fundação da Academia Acreana de Letras, apenas 34 anos depois da nossa existência como gente brasileira, merece uma reflexão sobre a liberdade, a fraternidade e a igualdade que estamos construindo.

Que liberdade queremos para os nossos filhos? Que igualdade? Que fraternidade? Responder a essas interrogações é tarefa nobre daqueles que olham o Acre nos 70 anos de fundação da Academia Acreana de Letras.

Vida longa a todos vocês, queridos confrades e confreiras da Academia Acreana de Letras! Muito obrigado pela travessia! Vocês nos trouxeram até aqui, cheios de luz, irreverência, utopia, amor à vida, abraços e poesia.

Encerro, fazendo um chamamento. Vamos utilizar o diamante que a vida nos deu, a força das letras, da literatura, da poesia e do conhecimento, para proteger a nossa juventude nos lugares mais frios, nas periferias, nos ramais, nas aldeias indígenas e nos rios.

Vamos levar letras e sonhos, algoritmos de esperança contra as drogas, o desamor e a depressão. Vamos encontrar um jeito de erguer abraços, de letras, de esperança, de fraternidade juvenil, de vida contra a morte.

Vida longa às letras!”

Publicado em Blog

Informações adicionais

  • Post type Standard

BANNER PP P